As Duas Portas




Duas portas levam a humanidade ao abismo,
E duas bastam, para abrirem,
muitas outras portas 
que levam a humanidade 
pelos caminhos tortuosos.
São elas:
A deficiência intelectual,
e a deficiência moral do eu interior,
que por sua vez, se refletem nas ações exteriores.

Define-se por intelecto, a inteligência humana, o seu raciocínio, e a sua capacidade de processar informações, enquanto que a moral, define todo o indivíduo que procede com justiça, que é correto, decente, honesto, íntegro, probo, etc. O contrário das duas, define a ausência de todos esses predicados, que são necessários para manter a elevação de um indivíduo, de um conjunto de indivíduos em uma sociedade, ou mesmo, de toda a humanidade.

Partindo do princípio de que as deficiências intelectual e moral, abrem portas para caminhos tortos, logo, percebemos a importância da auto-observação e da constante reforma de nosso próprio eu interior.

Na antigo Egito, já circulavam a mais de 3.500 anos a.C, ensinamentos da mais elevada moral, sendo que a verdade, a justiça, e a retidão, eram regras básicas para os cidadãos da época, e era imprescindível para eles, seguirem suas vidas diárias, pelas veredas de Maat que era a personificação da verdade, da justiça, e da retidão, ligada a alguns objetos, tais como a pluma, a balança, e o livro.

Em 1352-1338 na décima oitava dinastia a.C, o Faraó Akhenaton seguia o mesmo curso, ensinando as veredas de Maat, e os mais elevados princípios intelectuais e morais dentro desse caminho. Entre muitos dos seus ensinamentos, o seguinte é muito marcante, e fala sobre integridade, retidão, pureza e equilíbrio:

‘Mantende-vos íntegros em vossos propósitos, retos em vossas ações, puros em pensamentos, equilibrados em sentimentos e vossa força íntima, vosso eu superior, vos guiará pelo escuro labirinto da vida’’.

Em 1887 em Tel. El Amarna, Antiga Akhetaton (Horizonte de Aton) projetada por Akhenaton, localizada ao sul de Mênfis, e ao norte de Tebas, foram encontradas por uma aldeã Egípcia, uma grande quantidade de tábuas que mais tarde foram identificadas como sendo os arquivos do reinado de Amenhotep III, e de Amenhotep IV (Akhenaton). Na época, foram encontradas, mais de 380 tabuas de barro com inscrições cuneiformes, sendo que a maior parte delas eram cartas pessoais, desses reis, sendo que entre elas também haviam cartas de governadores e funcionários de seus reinados.

Em 1891, se iniciou uma grande escavação arqueológica coordenada por William Matthew Flinders Petrie, e logo após essas escavações, entre os anos de 1921 e 1937 diversas outras escavações foram feitas por outros exploradores. Essas escavações chegaram ao seu ápice com as escavações feitas pela Sociedade de exploração do Egito fundada em 1882. Entre os ensinamentos mais importantes de Akhenaton, encontrados nas tábuas do período Amarna, existe uma carta, direcionada a Nefertiti sua esposa, mas creio que os ensinamentos que nela se encontram, não se aplicam somente a pessoa em questão, mas também servem a todos nós.

Na carta, ele nos ensina sobre a eliminação da amargura, do falso apego, dos queixumes, e nos chama a atenção para o amor, e a observância de todas as coisas. Ele também nos ensina a sermos fortes, a sermos espiritualizados, e ressalta, que todos os nossos problemas e imprevistos são transitórios, que sempre existem soluções (mesmo que as vezes não as percebamos), e o mais importante, ele ensina que nossos pensamentos, sentimentos e emoções dever ter grandeza, serem puros, universais e acima de todo o egoísmo. Essa carta, nos deixa claro, a grandiosidade do intelecto e da moral desse homem, que por muitos de seu tempo, foi considerado um herege ao se rebelar contra as leis, costumes, e crenças do clero.

           Segue a carta:

        ‘Não guarde amarguras em teu coração. Sê cândida e sincera consigo mesma. Elimina todo o falso apego que se refere a ti, e acima de tudo, não fique atormentada com falsos queixumes. Olha o amor e a vida em todas as coisas, no ar, nas plantas, nos amimais e nos seres humanos. Sê forte, descansa teu espírito sobre o que é imortal, e imortal conseguirás ser. Lembra-te, nenhum problema e nenhuma frustração são definitivos, há sempre um imprevisto apaziguante, uma solução inesperada, quando tudo parece perdido. Deixa que teus pensamentos, sentimentos e emoções tenham grandeza, sejam puros e universais, e estejam acima de todo o egoísmo. Então, ainda que sob a mais densa obscuridade da terra. Tu perceberás, mesmo que confusamente, a luz que abita em teu coração e resplandece em sabedoria e amor’. 

         Quão maravilhosos esses ensinamentos! Poderiam ser destacados aqui, uma infinidade de outros ensinamentos, e uma infinidade de grandes nomes, que nos elevam o intelecto e a moral. Poderiam também, serem destacados aqui, muitas das ações humanas contrárias, que trouxeram ao mundo o caos no passado, assim como também trazem, o caos em que se encontra hoje, devido, em parte, a deficiência intelectual e moral, mas, urge agora, é que se exalte as coisas que elevam, e que essas, imperem sobre as opostas, e que possam gota a gota, despertar aqueles que dormem, e que ao despertar, eles saiam da escuridão.
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