Um grão de pólen na imensidão

Um grão de pólen na imensidão

Desde que eu era criança, assim como muita gente, eu já amava observar as estrelas, e na minha mente de criança, eu não tinha a mínima noção, de que aqueles pequenos pontinhos  luminosos no céu, eram muito mais do que apenas pontinhos luminosos no céu. Na minha mente, as estrelas eram tal qual a gente desenhava na escola quando criança, e eu sequer podia imaginar tamanha beleza que se ocultava além daquela visão aparente. Vez e outra, eu avistava algo diferente daqueles pontinhos brilhantes, semelhante a uma estrela, mas que se movia entre elas, deixando um rastro luminoso no céu. Meus avós, e os mais antigos, chamavam de estrelas cadentes, mas hoje em dia já se sabe que são meteoritos.
        
Além das estrelas, eu observava muito a lua, e na minha mente de criança, eu pensava que era um enorme ovo de dragão, que a qualquer momento iria estourar espalhando filhotes de dragões pelo céu. Na época, eu morava em um local cercado de natureza, e a noite, se podia ver o céu claramente, mas, conforme fui crescendo e o tempo foi passando, e enquanto pessoas nasciam e outras morriam, a cidade foi crescendo, e prédios surgiam ocultando a natureza ao redor. Eu percebia, que tudo estava mudando, mas eu olhava para o céu, e ele continuava lá, Magnífico! Misterioso! 

Enquanto isso aqui em baixo, eu observava algumas pessoas indo e vindo, vivendo suas vidas diárias dentro de um sistema padrão, ao qual já estavam inseridas desde o nascimento, me parecia que elas estavam vivendo, como que em uma hipnose, como se não houvesse um céu por sobre suas cabeças, como se não houvesse um universo a descobrir, como se houvesse somente o aqui, e mesmo, as pequenas coisas do aqui, muitas vezes elas passavam sem notar , E eu cresci, e na medida em que fui crescendo, e adquirindo conhecimentos, fui descobrindo que aqueles pontinhos brilhantes que eu via, faziam parte de algo muito maior, algo que estava em eterna expansão, algo sem fim, que fazia nosso planeta parecer um pequeno grão de pólen  levado pelo vento, flutuando na imensidão.

Um dia descobri as séries de Cosmos, do norte americano Carl Sagan, nascido em 1934 e falecido em 1996, ele era cientista, astrobiólogo, astrônomo, astrofísico, cosmólogo, escritor e divulgador científico, um dos mais famosos já conhecidos, mas antes disso, eu já estava mergulhada dentro da história do antigo Egito, e já havia estudado muito da cosmologia egípcia traduzida através dos relatos de Heródoto o filósofo grego. Além dos egípcios, fui percebendo que todos os outros povos, tal como, os maias, tinham a astronomia como a sua principal ciência, a ciência do Altíssimo, como assim era denominada pelos sábios da antiguidade. 

Conforme eu mergulhava nos estudos sobre esses povos antigos e sua ligação como astronomia, me surgiu a seguinte questão: Por que, esses povos eram tão ligados ao céu, ao ponto de deixarem construções tão grandiosas, tal como as pirâmides, na exata posição de algumas constelações, que nos chamam a atenção para o céu, como por exemplo: A constelação de Órion? A partir dessa questão, eu passei a estudar Órion, assim como, todas as outras constelações ao seu redor, e descobri que em Órion, adorado como um Deus na antiguidade, existia uma nebulosa, conhecida como M42 ou, NGC. descoberta por Nicolas Caude Frabri de Peiresc, no ano de 1610. Olhando da terra, a nebulosa de Órion, também me parecia ser, um pequeno pontinho luminoso entre mais dois pontinhos, que se localizam em baixo das três estrelas principais da cintura de Órion, conhecidas como Mintaka, Alnilan, e Alnitak, as famosas três Marias como assim as conhecemos, mas que na antiguidade eram conhecidas como três Reis. A nebulosa abaixo delas, semelhante a um pequeno pontinho que observamos da terra, possui entre 24 e 25 anos luz de diâmetro, e se encontra entre 1500 e 1800 anos luz do nosso sistema solar, nela se localiza um dos maiores berçários de estrelas conhecidos pela astronomia, e provavelmente, nosso sol nasceu de uma nuvem de gás e poeira que se desprendeu de lá, e viajou pelo espaço estacionando a cerca de 325 anos luz de distância do centro da nossa galáxia, em um ponto conhecido como cinturão de Gould, do braço espiral de Órion , ou braço direito de Órion, local onde vivemos. 

Perante a percepção da grandeza diante dos meus olhos, eu percebi a imensidão, e a pequenez de nós mesmos diante do todo, percebi, a necessidade de mudança, a necessidade de expandirmos nossa mente ao campo das infinitas possibilidades, e nos conectarmos novamente a esse todo, assim como, os povos antigos o faziam. Da visão aparente aqui do solo, as estrelas parecem sim, pequenos pontinhos brilhantes, tal qual, eu imaginava quando criança, mas, a partir do momento em que compreendi a grandiosidade do universo, e me coloquei mentalmente, em um ponto qualquer do espaço, percebi o quanto nós somos minúsculos! O quanto, muitas vezes, fecham-nos em nós mesmos! O quanto nos desconectamos, através de pensamentos, palavras, e ações impensadas. Me refiro a nós, porque não somos a parte uns dos outros, participamos de um mesmo todo, ao qual chamamos de universo, 

Partindo de uma visão espacial, residimos em um pontinho quase imperceptível na imensidão, tal qual um pólen flutuando ao vendo, mas, que exerce um papel importante na imensa teia cósmica da vida. Neste pólen, nossa morada, os antigos nos deixaram uma importante mensagem, gravada em suas construções, e essa mensagem, reflete o próprio céu na terra. Provavelmente, eles queriam nos dizer que tudo está interligado, e que só poderemos ser plenos, se abrirmos os portais da mente para o campo das infinitas possibilidades, seguindo o fluxo harmonioso do universo. 

Ii-m-htp, ou, Imhotep (Aquele que vem em paz), arquiteto das primeiras pirâmides escalonadas do mundo antigo, conhecido pelos gregos como Hermes, e considerado o pai das ciências, dentre elas, a astronomia, deixou importantes ensinamentos, sendo que alguns foram conhecidos como, os sete princípios básicos das tábuas de esmeralda. Em um desses princípios, mais precisamente o segundo, conhecido como princípio da correspondência, ele fala dessa interação de todas as coisas, ele nos ensina que, assim como é acima é em baixo, como é em baixo é acima. Tudo se corresponde. As mesmas leis que atuam sobre o homem, atuam sobre uma lagarta ou uma estrela, e assim como os astros se deslocam no céu, seguindo um princípio inteligente, assim é com relação ao universo. Com sabedoria devemos interagir em relação ao universo, e então cumpriremos o plano divino. 

Muitos conhecimentos dos sábios da antiguidade, assim como, boa parte dos conhecimentos de Imhotep, se perderam com o tempo, ou foram destruídos, com tudo, nós devemos buscar na raiz, tudo aquilo que nos restou como herança desses sábios do passado. Sempre que posso, aconselho as pessoas a buscar compreender os princípios básicos de Imhotep, nos quais pretendo falar em outras ocasiões. Para finalizar este primeiro artigo, desejo que todos estejam sempre, nos caminhos do amor, da verdade, da justiça e da paz, AMOR, VERDADE, JUSTIÇA, E PAZ, eram as quatro principais palavras, lema na vida de um outro egípcio muito famoso, conhecido na décima oitava dinastia como Amenhotep IV, ou, Faraó Akhenaton, outro grande mestre.





         
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